
Recentemente, surgiram notícias sobre cientistas que supostamente comprovaram a possibilidade teórica de viagem no tempo, sugerindo que em breve poderemos ter uma “máquina do tempo” como nos clássicos filmes de ficção científica.
Será que isso é verdade?
O que realmente aconteceu?
O problema do tempo
Vocês provavelmente já ouviram diversas vezes que viajar no tempo é impossível, mas poucos realmente compreendem os motivos por trás disso.
Na verdade, a viagem no tempo, junto com a viagem mais rápida que a luz, pode ser considerada um dos sonhos tecnológicos mais populares da humanidade.
Porém, mesmo que cientistas tenham demonstrado teoricamente métodos para ultrapassar a velocidade da luz, a viagem no tempo continua sendo um problema extremamente complexo.
Mas afinal, qual é o problema?
Na verdade, uma máquina do tempo… já existe.
E essa máquina é o próprio universo.
Isso porque o universo está constantemente em movimento, do passado para o futuro.
E mais, vocês podem “correr a toda velocidade” em direção ao trigésimo primeiro século.
Para isso, basta fazer uma viagem espacial extremamente longa, próxima à velocidade da luz.
Dessa forma, por efeitos relativísticos, o fluxo do seu tempo será mais lento em relação ao mundo ao seu redor, de modo que enquanto vocês experimentam 10 anos, para as pessoas na Terra terão se passado 1000 anos.
No entanto, não será possível voltar para o ano de 2024, onde estamos agora.
Provavelmente, voltar ao passado será impossível de qualquer forma.
De acordo com o pensamento atual, o tempo é, por definição, unidirecional, ou seja, só avança para frente.
Claro, ainda sabemos muito pouco sobre a natureza do tempo, mas segundo a causalidade, um dos princípios fundamentais da física, a causa sempre precede o efeito, e o contrário é impossível.
Caso contrário, seria um completo absurdo.
Existem teorias que sugerem ser possível reverter o tempo, mas isso exigiria restaurar o estado de todas as partículas e ondas existentes no universo para o momento exato desejado.
Isso demandaria uma quantidade de energia muitas vezes maior que todo o universo observável.
Em outras palavras, para voltar ao ontem, seria necessário queimar o universo inteiro, e possivelmente alguns universos vizinhos, caso existam.
Não acham o custo um pouco alto?
Existem outras teorias sobre a viagem no tempo, mas todas elas enfrentam obstáculos significativos dentro da física.
Por exemplo, algumas soluções das equações da teoria da relatividade geral preveem a possibilidade de viagem no tempo, mas o “princípio de autoconsistência de Novikov” determina que o passado não pode ser alterado de forma alguma.
Tempo ou ponteiro do relógio?
Recentemente, circulou na internet uma notícia sobre cientistas que, durante um experimento de física quântica, teriam descoberto um “tempo negativo” fluindo do futuro para o passado.
À primeira vista, isso parecia possibilitar não apenas a viagem no tempo, mas também ultrapassar a velocidade da luz.
Como tudo relacionado à física quântica, a essência do experimento e suas conclusões são extremamente difíceis de compreender.
No entanto, vou tentar explicar de forma “compreensível” para vocês.
Esta história começou com uma tentativa de resolver um problema crucial sobre a interação entre luz e matéria.
O resumo geral é o seguinte.
Quando um fóton atravessa um meio, ele pode ser temporariamente absorvido pelos átomos desse meio.
Nesse caso, os elétrons do átomo são “excitados”, passando para um nível de energia mais alto.
Depois, quando o material “libera” o fóton, tudo volta ao normal.
O tempo em que o fóton fica “capturado” pelo átomo é chamado de tempo de atraso de grupo.
Desvendar o que acontece com o fóton nesse momento era o objetivo desta pesquisa.
Por exemplo, havia a questão de se o fóton “liberado” é o mesmo fóton absorvido, ou é um novo fóton emitido pelo átomo excitado.
Embora pareça uma questão simples, no mundo científico, perguntas aparentemente básicas frequentemente exigem experimentos complexos e podem levar a conclusões completamente inesperadas.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Os pesquisadores investigaram cuidadosamente o estado dos átomos de rubídio quando um fóton tentava atravessar uma nuvem atômica de rubídio fortemente resfriada.
E, então, algo estranho aconteceu.
Às vezes, mesmo quando o fóton atravessava facilmente a nuvem, os elétrons no átomo mudavam para um nível de energia diferente.
Além disso, foi observado um fenômeno como se o átomo tivesse absorvido o fóton, e o tempo que o fóton permaneceu nesse estado correspondia ao tempo de atraso de grupo.
Matematicamente, poderíamos descrever esse fenômeno estranho dizendo que o átomo às vezes “é excitado em um momento muito adiantado”.
Ou seja, o átomo seria excitado antes mesmo do fóton entrar em contato com ele.
Foi exatamente isso que os cientistas chamaram de “tempo negativo”.
Em outras palavras, parecia ter um sinal negativo, como se estivesse voltando para trás.
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